El Pelegrino rumo à Santiago de Compostela pelo Caminho Português


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Fão a Viana do Castelo - 33 km.




A pousada da Juventude foi um achado, limpo, quarto privado e café da manhã incluso. Não podia ser melhor. Como o café só era servido depois as 08h30min, eu tinha bastante tempo pra me aprontar e arrumar a mochila.


Desci na hora marcada e já encontrei com a peregrina irlandesa no refeitório tomando café. Não acreditei quando vi que ela estava vestindo jeans e casaco de lã. Nada recomendável para uma caminhada longa! Mas, quem sou eu para julgar? Meu primeiro Caminho Francês foi quase nesse estilo, em vez de casaco de lã era casaco de couro, pesadão!


Como caminharíamos em direções opostas, esse seria o nosso último encontro e me lembrei de que ela estava sem informações do Caminho Português da Costa e dei para ela um pequeno guia da Junta da Galícia que encontrei no albergue de Coimbra, vinha com especificações das etapas e onde encontrar albergues.


Eu já tinha visto esse pequeno Guia na Oficina de Peregrinos de Santiago, vem no estilo de Credencial para pegar os carimbos dos albergues e com informações adicionais do Caminho Português da Costa.


A peregrina agradeceu-me como se tivesse ganhado na loteria, achei muito engraçado e nos despedimos. A etapa seria longa e o tempo seria curto, significava que teria que correr para cobrir os quilômetros do dia anterior.


Saí num ritmo acelerado e em uma hora de caminhada eu já me encontrava em Esposende, no albergue de peregrinos de Marinhas. Estava fechado e olhei bem as instalações e para as redondezas, agradeci por ter ficado em Fão, pois chegaria tarde e não vi nenhum local para fazer uma refeição, mas analisando o mapa depois, há uma opção nas proximidades na beira da estrada.


Passado as Mariñas, o Caminho segue para o bosque e posteriormente sobe pela encosta, deixando a "Costa" (a praia!!!!) cada vez mais distante. A cada nova ladeira, mais nervoso eu ficava.


Como um caminho chamado Caminho da “Costa” pode seguir pela montanha? Se eu quisesse subir montes tinha ficado no Caminho Central e não teria vindo pela Costa. Caminhos...


E acabou acontecendo o que temia, perdi as setas pela primeira vez na etapa. Mas na verdade, eu segui outras setas amarelas, aparentemente há sinalização dupla nos arredores de Belinho, consegui ver pelo Google View, ambas se encontram mais a frente.


Logo em seguida as setas seguem por uma trilha no interior de um bosque, onde o peregrino atravessa o rio por uma ponte de pedras, aqui se encontra a divisa entre o Distrito de Braga e de Viana do Castelo. Um grande marco de pedra com a inscrição de Antas informa o peregrino a sua localização.


Seria um bom local para descanso se eu tivesse tempo, daria para se refrescar um pouco no rio e até fazer um piquenique, mas vai ficar para outro dia.




Ao sair da trilha as setas seguem pela Avenida de Moldes e talvez eu tenha seguido o fluxo errado, em vez de dobrar a direita, segui pela esquerda na N-13-3 e só me dei conta que alguma coisa estava errada após dois quilômetros de caminhada e voltar é uma coisa que não faço quando estou caminhando.


O jeito era seguir a nacional e ver se as setas amarelas apareciam de novo… Nada! Ao elaborar o mapa do Google consegui ver onde estava à seta no Google View, bem atrás do poste na esquina, não me lembro de tê-la visto, mas deveria ter outra sinalização complementar nesse cruzamento, do tipo X.


Fiz uma consulta no Google Maps pelo celular e vi que eu tinha a alternativa de seguir a N13-3 até Viana, mas cheguei num cruzamento e decidi ir ao encontro das setas amarelas, afinal elas teriam que cruzar essa avenida em algum lugar.


Após visitar dois cafés e pedir informações aos moradores locais consegui encontrar as setas amarelas, esse desvio me custou três quilômetros a mais no dia… Mas o que importava era que eu estava de volta ao Caminho.


Segui as amarelas como um cachorro segue o seu dono, pois já estava escurecendo, isso já não era novidade para mim, afinal tenho chegado sempre tarde nos albergues das etapas, o bom é que eu já conseguia ver a cidade ao longe.


O trânsito nos arredores de Viana do Castelo é bem intenso, um engarrafamento que me lembrou do Brasil, principalmente do Rio de Janeiro. As pessoas nos carros e ônibus acompanhavam-me com olhares curiosos, tipo quem é esse alienígena carregando essa mochila monstra nas costas?


Quando dei por mim eu já estava na ponte de acesso à Viana do Castelo. A ponte era de ferro, com dois níveis, um para carros nos dois sentidos e pedestres, no outro nível passava o metrô.


Fiquei imaginando a peregrina americana atravessando essa ponte, pois ela havia me dito que tinha medo de atravessar essas pontes, fiquei rindo sozinho, mas até eu tremi quando o metrô passou abaixo dos meus pés. A ponte literalmente treme!!!


Cheguei do outro lado e vi uns adesivos indicando a direção do albergue, mas com o cansaço acabei me perdendo, de novo! É claro que peregrino se vira rápido, perguntei a dois senhores que me indicaram o Caminho certo.


Na verdade, os dois senhores me indicaram o local errado e tive que pedir informações complementares sobre onde albergar nessa noite, me indicaram mais uma vez a Pousada da Juventude, como eu já estava habituado com as acomodações da rede, foi pra lá que me dirigi.




Quando cheguei ao albergue dei de cara com a peregrina americana e a canadense, ambas de banho tomado e de chinelos nos pés, tudo o que eu precisava naquele momento.


Combinamos de nos encontrar em trinta minutos para jantarmos e conversarmos sobre o Caminho. Eu estava totalmente acabado, mas precisava urgentemente comer alguma coisa, pois estava faminto.


Após uma ducha quente e roupas limpas me encontrei com as duas no salão da pousada. Fomos ao primeiro restaurante nas cercanias do nosso alojamento, isso por que as peregrinas também estavam esgotadas.


Pedimos uma garrafa de vinho para relaxar. Enquanto os nossos pedidos não chegavam fomos colocando o papo em dia. A próxima etapa segue até Caminha, divisa com a Espanha, a canadense disse que essa seria a sua última etapa e a americana iria seguir para o Caminho Central, em direção a Vila Nova de Cerqueira. Ou seja, esta seria a última etapa que nos encontraríamos.


Vinha na companhia da americana desde Rabaçal, dez dias atrás, e a canadense desde Póvoa de Varzim. São interessantes os laços que se formam enquanto estamos caminhando, parece que as conheço desde sempre, mas é assim no Caminho, estamos sempre nos encontrando com novas pessoas. Umas vêm e outras vão!


Perguntei se elas sabiam onde era o Albergue de Peregrinos de Viana do Castelo, tinha visto informações no folheto que dei à irlandesa, a americana disse que o mesmo estava fechado desde outubro por causa da baixa estação, comentei que tinha ido até o centro e o local que me indicaram parecia abandonado.


Ao escrever esse relato descobri que o Albergue de Peregrinos de Viana do Castelo funciona ao lado da Igreja Nossa Senhora do Carmo, o que fiz questão de marcar no mapa acima.


Voltamos para a Pousada da Juventude e as peregrinas foram descansar, resolvi atualizar algumas informações e fazer backup das fotos utilizando o computador local, aproveitei e li alguns e-mails da minha caixa de entrada que já transbordava.


Voltei para o meu quarto compartilhado, mas que devido à baixa estação se encontrava vazio, uma benção! A estrutura da Pousada da Juventude de Viana não é igual a de Fão, mas segue o padrão da rede e com direito ao café da manhã, além de ter uma vista bem privilegiada do Rio Lima.


Falta pouco, amanhã Caminha, fronteira Portugal e Espanha, ainda estou pensando se faço em duas etapas ou apenas uma até A Guarda. Precisando das informações do Ferry Boat pra ver se é viável a travessia no final da etapa.



Topografia da etapa do Caminho Português da Costa


Pelas minhas contas faltam menos de oito etapas até Santiago de Compostela e pela previsão do tempo terei bons dias de sol até lá, gostaria de chegar num dia ensolarado como das outras vezes, então é um olho na quilometragem e outro no céu, ou melhor, no aplicativo do Climatempo.


Meu Caminho rumo à Santiago de Compostela pelo Caminho Português está chegando ao fim e aquele sentimento de tristeza que todo peregrino sente no final do Caminho já me assola. Enfim, Caminhos... Bom, o jeito é descansar e deixar que o cansaço leve esse sentimento embora.


Próxima etapa... Espanha?!





Fotos da Etapa:




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